Faça melhor: violência sexual na ficção científica e na fantasia
Sobre escrever / 4 setembro, 2016

Por Sarah Gailey* Tradução de Rodrigo Assis Mesquita Imagem: Tor.com Protagonista Feminina derruba a porta do laboratório secreto. Ela corre pelo corredor, um revólver numa mão e uma faca na outra. Ela está pronta para lutar—mas ela se esquece de checar as esquinas e dois guardas uniformizados rapidamente avançam por trás e a seguram. Ignorando as tentativas de avisá-los sobre o plano secreto do Vilão de substituir todos os cérebros por robôs, os guardas rapidamente a algemam e começam a tateá-la, removendo todas as suas armas. Guarda Um olha lascivamente para ela enquanto revista, sem pressa, o interior do seu top— (ou…) Protagonista Feminina decidiu ignorar as reprimendas de seu pai sobre o comportamento que uma verdadeira Princesa deveria ter. Ela tem dezessete anos, caramba, e tem o direito de decidir o próprio destino. Ela está na floresta praticando golpes de espada contra uma árvore quando, do nada, dois jovens rufiões vindos da cidade aparecem na floresta. Eles cheiram a cidra amarga; demoram um momento para notá-la, mas quando notam, eles trocam um olhar que a deixa nervosa. Eles se aproximam, de modo casual, mas algo no seu caminhar é predatório. Ela percebe que o vestido folgado e confortável que…

Artigo: Escrevendo sobre Estupro, por Jim C. Hines
Sobre escrever / 5 junho, 2016

Traduzido por Rodrigo Assis Mesquita. Artigo originalmente publicado na Apex Magazine. Jim C. Hines é autor de sete romances de fantasia e de mais de quarenta contos. Trabalhou como coordenador e contato masculino para um abrigo de violência doméstica e foi conselheiro de vítimas de violência sexual e palestrante comunitário no seu centro de crise local. Você pode encontrá-lo online em www.jimchines.com onde continua escrevendo sobre violência sexual e assédio, bem como assuntos mais leves, de serras elétricas de LEGO a resenhas de livros a canções de Natal com temas de zumbi. Então você decidiu adicionar uma cena de estupro na sua história. Afinal, está escrevendo uma história de terror, e o que é mais aterrorizante do que um estupro? É o jeito perfeito de mostrar o quão mau realmente é o seu vilão ou monstro, e todo mundo sempre diz que que você tem de começar uma história com ação e conflito, certo? O melhor de tudo: a sua história vai ajudar a educar todas as mulheres sobre os riscos de andar sozinha à noite! O editor é uma garota, então ela deve apreciar esse tipo de coisa. Ou não. Eu admito que este é um tópico sensível para…

Trazendo as mulheres de volta para as histórias
Sem categoria , Sobre escrever / 8 março, 2016

As mulheres compõem basicamente da população mundial, mas, na História, pouco aparecem. Em entrevista para o blog English Heritage, a historiadora Dra. Bettany Hughes explica que, na pré-História, de 40.000 A.C. até mais ou menos 5.000 A.C., vê-se que por volta de 90% das estatuetas produzidas representavam mulheres. O protagonismo masculino na História Ocidental é justificado pela necessidade de expansão que gera uma mudança de poder, pois a sociedade precisa de força muscular e se torna “militarizada”. Começam a aparecer deuses da guerra e épicos como Gilgamesh, a Ilíada e a Odisséia. O papel da mulher é diminuído nas sociedades em que os objetivos principais deixam de ser a sobrevivência física da comunidade e a qualidade de vida e passam a ser a expansão e o sucesso. A Dra. Bettany Hughes afirma que um dos principais desafios dos historiadores é trazer as mulheres de volta para a História. Algumas mulheres ficaram famosas pela sua descrição hipersexualizada e por representarem um deturpado conto moral de sedução, de criaturas que atraíam os homens para a sua cama e para a morte. As mulheres não puderam ser retratadas como personagens, como protagonistas, e quando isso aconteceu, foram retratadas como estereótipos ou em uma versão fantasiosa. “Cleópatra…

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