Resenha: The name of the wind (O Nome do Vento), de Patrick Ruthfuss

23 maio, 2016
The name of the wind

The name of the wind

The Name of the Wind/O Nome do Vento é um trabalho bastante elogiado do Patrick Ruthfuss e acabei lendo por várias recomendações de amigos. Tinha altas expectativas e quis amar o livro, de verdade. Porém, não cumpriu o que prometia.
O Prólogo é realmente muito bem escrito, diria que é, de longe, a melhor parte do livro. Dá a impressão que o autor gastou ali uma boa parte do tempo para apresentar uma obra-prima. O silêncio em três níveis é de um lirismo impressionante.
A ideia de uma história narrada por um aventureiro aposentado que se torna dono de um taverna é também interessante, inclusive por mostrar o “fim” de um herói que não seja o casamento com a princesa, a conquista de um trono qualquer ou a morte gloriosa.
O protagonista incomoda: ele é arrogante, o melhor do mundo, o mais inteligente. Basicamente, ele é O Escolhido, The One, expediente que já me cansou. Inicialmente achei que ele só era mentiroso, um narrador não confiável, mas o livro deixa claro, no final, que não é o caso. Ele é “top” mesmo. Apesar de toda a astúcia, resolve se exilar do mundo adotando um nome cuja pronúncia é a mesma do seu nome verdadeiro: “Kote”, no lugar de “Kvothe”. É como se alguém chamado Thiago mudasse o nome para Tiago, sem “h”.
O ritmo da narrativa é irregular. Achava que o protagonista contaria apenas as principais passagens da sua vida. Talvez esse fosse o objetivo.
Fiquei empolgado pelo primeiro quinto, enquanto viajava com a família e aprendia magia com Abenthy. Daí em diante a história apresenta uma enorme barriga. Somos apresentados a uma série de personagens e situações totalmente irrelevantes para a história.
A situação melhora quando finalmente ingressa na Universidade. Melhora, mas não fica exatamente boa. Conhecemos outros personagens, inclusive uma moça que parece ter uma grande importância para os outros livros, e um tipo de dragão que é muito interessante.
Ruthfuss escreve bem, mas acho que precisava de um editor (ou de um editor melhor). Mesmo o episódio do dragão é contado de modo totalmente irrelevante, não acrescenta nada em termos de avanço do roteiro, desenvolvimento de personagem ou construção de mundo.
Além disso, o background do mundo é apresentado de maneira muito expositiva, quase Powerpoint. Em dado momento, por exemplo, surge um velho na cidade que, por conveniência, sabe de TODAS AS HISTÓRIAS DO MUNDO. Kvothe então vai vê-lo e pede para lhe contar uma dada história, que é prontamente narrada em detalhes pelo velho. Isso acontece desse modo em pelo menos mais uma ocasião.
O sistema de magia é bem interessante e foi integrado à história. Gostei muito da noção do nome das coisas como o ápice da magia.
No geral, o livro vale a pena por fugir da fórmula tolkeniana e pelos interlúdios que se passam “no presente” (Kvothe narra a sua história para um cronista).

Nota: 3/5

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