Quando Neil Gaiman processou Todd McFarlane – A questão das obras derivadas
Sem categoria / 23 fevereiro, 2016

Em 1992, Todd McFarlane convidou Neil Gaiman para escrever um número de Spawn, série publicada pela Image Comics. McFarlane, um dos sócios-fundadores da Image e criador do Spawn, havia conseguido convencer Alan Moore, Dave Sim e Frank Miller a escrever, cada um, uma edição do personagem. Ele prometeu a Gaiman total liberdade criativa, nenhum contrato, controle sobre a obra e um tratamento melhor do que jamais teria na DC e na Marvel. Gaiman acabou aceitando a proposta (um contrato verbal) e escreveu a edição 9 de Spawn, onde apareceram os personagens Angela e Cogliostro, criações originais, e Medieval Spawn, uma derivação do anti-herói. Angela ainda apareceu em uma minissérie própria e na edição 26, também escritas por Gaiman. Em 1996, McFarlane começou a fabricar bonecos de personagens da Image, inclusive de Angela, e a publicar coletâneas de Spawn sem pagar nada a Gaiman. Em 1999, McFarlane criou os personagens Dark Ages Spawn e as anjas guerreiras Domina e Tiffany para a série Spawn: The Dark Ages. Insatisfeito, Gaiman ajuizou duas ações judiciais contra McFarlane: uma para que lhe fosse reconhecida a coautoria de Medieval Spawn, Angela e Cogliostro e outra para que fosse reconhecida e determinada a sua participação nos…

Resenha: “Paper Towns”, de John Green
Sem categoria / 19 fevereiro, 2016

Paper Towns é o primeiro livro que leio do John Green. Só conhecia o autor de nome pelas adaptações de suas obras, especialmente pelo A Culpa é das Estrelas. Devo também deixar claro que o gênero “romance” não é um dos meus favoritos e que comprei o livro como parte de um desafio literário. O livro é narrado em primeira pessoa por Quentin, um tipo nerd-tímido que é obcecado pela sua vizinha, Margo, a garota-popular-descolada-potencialmente-legal-e-inteligente, desde que ambos eram criancinhas. Os dois nunca mais se falaram desde que viram um homem morto em um parque aos nove anos de idade. Agora, aos 18, tudo pode mudar… Ou não. A obra tem três partes: o mundo normal de Quentin, em que ele tem dois amigos de infância, Radar e Ben, e onde Margo nem sabe mais da sua existência, até que a noite de aventuras começa quando a garota, do nada, entra em seu quarto pela janela (deja vu de Dawson’s Creek), e lhe diz que o escolheu para levá-la pela cidade para invadir uns prédios e punir o então namorado e umas amigas por lhe traírem a confiança; o desaparecimento de Margo, quando Quentin obsessivamente busca por pistas de seu…

Uma análise do excepcional “Venha ver o por-do-sol”, de Lygia Fagundes Telles
Sobre escrever / 8 fevereiro, 2016

Venha ver o por-do-sol, escrito por Lygia Fagundes Telles, é uma das melhores histórias de terror já escritas. O conto tem nove páginas e foi publicado originalmente em 1986 na coletânea Antes do Baile Verde. Na trama, Raquel, com bastante relutância, topa encontrar Ricardo, com quem teve um relacionamento, para um último encontro. O rapaz a espera encostado numa árvore; a moça chega de táxi, bem arrumada. Lygia descreve brevemente os dois: Raquel chega arrumada, elegante; ele está esportivo, com cabelo comprido e desalinhado. De cara, percebe-se a diferença de classe social e de estado de espírito de ambos, o que vai sendo aprofundado no decorrer da história através dos diálogos, nunca de madeira expositiva ou artificial. “Qual é o programa?”, pergunta Raquel; Ricardo a convida a ver o por-do-sol, o mais bonito que existe, e acreditamos nele, ainda mais aqui em São Paulo, onde pessoas aplaudem o por-do-sol. Assim começa o conto, que nos prende na primeira página e vai, aos poucos, mostrando a relação entre os dois protagonistas, o passado e o futuro iminente, até chegar no por-do-sol. Temos um vislumbre da personalidade do casal e do que aconteceu em suas vidas. O final não deixa espaço para sequências, encerrando a trama com maestria. O conto…

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